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Entendendo o conflito na Síria

25.MAI

A guerra civil que vem acontecendo na Síria é um tema extremamente complicado e com desdobramentos diversos. No post de hoje, nós sintetizamos um pouco do que, inicialmente, motivou o conflito e os caminhos que estão sendo traçados durante o mesmo. É importante ressaltar, porém, que novos fatores são constantemente inseridos à questão, então é interessante que você faça pesquisas frequentes para um entendimento mais amplo e atualizado desta guerra.

Antecedentes

O atual presidente, Bashar al-Assad, está no poder desde os anos 2000. O partido ao qual ele pertence, chamado Baath, governa a Síria desde 1963 por meio de um regime totalitário, que por mais de meio século não permitiu a formação de coligações de oposição. Há anos, o país já vinha registrando índices altíssimos de desemprego e corrupção, somando-se também à falta de liberdade política, minada pelo caráter ditatorial do governo.

Primavera árabe

No ano de 2011, eclodiu uma onda de levantes populares contra os regimes totalitários no Oriente Médio, conhecida por Primavera Árabe. Em março daquele mesmo ano, movimentos sírios tomaram as ruas para protestar contra o governo, porém os desdobramentos na Síria foram bem distintos do que ocorreu em algumas outras nações: durante quatro meses os protestos foram pacíficos, mas posteriormente, as forças de segurança do presidente responderam com ataques aos grupos manifestantes, causando centenas de mortes.

Escalada de violência

Em julho de 2011, milhares de pessoas foram novamente às ruas e parte delas também já estava armada contra as forças de segurança. Esse ciclo de ação e reação resultou em um crescimento rápido da violência no país. O conflito foi ganhando maior proporção e, com isso, chegando até as principais cidades da Síria, como Aleppo e a capital, Damasco.

Normalmente, quando se inicia uma guerra civil como essa, algumas estruturas de poder se fragilizam, o que abre espaço para o surgimento de outros conflitos que só tendem a piorar a situação. E na Síria não foi diferente: o que começou como uma disputa entre forças apoiadoras do governo e grupos rebeldes, ganhou diversos contornos a mais.

Estado Islâmico

O presidente Bashar al-Assad pertence ao braço do Islamismo conhecido como alauítas, que possuem uma tradicional divergência religiosa com os sunitas, outra corrente do Islã. Há muitas acusações de disseminação do ódio entre os dois grupos, o que torna o conflito ainda mais violento. Além disso, também existem grupos extremistas jihadistas, que pregam a defesa da “guerra santa” e têm como principal expoente o Estado Islâmico.

Pouco depois do início do conflito, esses jihadistas começaram a ganhar poder de fogo e a conquistar territórios dentro do país, criando uma “guerra dentro da guerra”.

Ambos os grupos, porém, sejam apoiadores ou grupos contrários ao governo, concordam na luta contra os extremistas, o que os coloca ainda lado a lado em algumas batalhas. No último ano, ataques advindos principalmente dos EUA conseguiram diminuir consideravelmente o poder do Estado Islâmico, que ainda resiste em algumas partes do país.

Os curdos

Em 2014, para conter o Estado Islâmico, a coligação internacional liderada pelos EUA criou um grupo formado majoritariamente por árabes e curdos, conhecido como Forças Democráticas Sírias (FDS). A participação curda é de grande importância na luta contra os extremistas, sendo responsável pela reconquista de cidades importantes como Kobane, que antes de 2015 já estava nas mãos do Estado Islâmico.

O problema é que os curdos são outra complicada questão na geopolítica mundial: são um povo que há tempos lutam pela criação de um Estado próprio, que abarcaria territórios na Síria, Irã, Iraque, Turquia e Armênia. Ele são entre 25 e 40 milhões de pessoas, sendo que 15 milhões deles residem da Turquia, número que corresponde a 1/4 da população do país.

Devido ao armamento das forças curdas, propiciado pelas coligações internacionais, a Turquia sentiu a sua hegemonia ameaçada. Isso, por sua vez, motivou-a a realizar diversos ataques ao norte da Síria, procurando frear o avanço do que os turcos chamam de “corredor terrorista”.

Envolvimento internacional

Graças a motivações diversas, outros países também entraram no conflito. O Irã e a Rússia possuem interesses geográficos e armamentistas na Síria, o que fez com que oferecessem um forte apoio militar e financeiro às tropas de Bashar al-Assad. Essa coligação defende a ideia que os rebeldes são formados majoritariamente por terroristas e, por isso, precisam ser combatidos.

Já os EUA, a Turquia e a Arábia Saudita foram os primeiros a apoiarem os rebeldes. Inicialmente, os americanos procuraram oferecer um apoio “moderado” aos rebeldes, já que havia o temor dos armamentos caírem nas mãos dos jihadistas pertencentes ao Estado Islâmico.

Porém, um novo desdobramento em abril de 2018 tirou os Estados Unidos dessa posição moderada. Quando o governo de Bashar al-Assad foi acusado de desferir ataques químicos contra a população na região de Damasco (medida é proibida pela comunidade internacional), a coligação EUA, França e Reino Unido provocou ataques mais incisivos na Síria.

Questões humanitárias

Antes da eclosão da guerra, a população síria era de cerca de 22 milhões de pessoas. Os dados são controversos e imprecisos, já que há um grande número de desaparecidos. Porém, estima-se que mais de 500 mil pessoas já morreram nos conflitos. Além disso, a guerra gerou mais de 5 milhões de refugiados e cerca de 6 milhões estão desabrigados.

Para a ONU, a questão fere gravemente os princípios dos direitos humanos, o que levou a uma tentativa de promover um acordo entre os dois lados. A proposta da Organização era a criação de um governo transitório, que aliasse interesses de Bashar al-Assad com a vontade dos grupos rebeldes. Porém, foram nove tentativas de acordo - todas sem sucesso.

Há até mesmo uma dificuldade de acesso das tropas ativistas humanitárias, que são impedidas pelos vários lados da guerra. Muitas cidades da Síria ainda sofrem com o cerco de forças armadas, a falta de comida, de água e de suprimentos médicos, e diariamente há registro de mortes de civis.

Por que a questão é complicada?

A questão da Síria abarca grandes questões geopolíticas da atualidade, como a tensão já antiga entre Estados Unidos e Rússia, o problema dos refugiados, a violência chocante do Estado Islâmico e a presença de povos separatistas, como os curdos. Isoladamente, todos esses embates já possuiriam uma complexidade enorme de resolução, mas o caso sírio coloca todos eles juntos em curso, criando diferentes frentes de disputa em um mesmo conflito.

Assim, é perceptível que a questão inicial entre os rebeldes e o governo já não é mais o centro do problema. A Síria se transformou em um campo de muitas batalhas, onde grande potências mundiais travam uma disputa indireta, motivadas por interesses diversos e por rivalidades já antigas. Um exemplo importante é a Turquia que, antes aliada dos rebeldes, passou a também atacar o país quando se sentiu ameaçada pelo poderio curdo.

Perspectiva de paz

Infelizmente, de uma forma geral, tanto especialistas em geopolítica quanto a própria comunidade internacional ainda não veem perspectivas positivas para a resolução rápida do conflito. A cada semana, novos fatores são inseridos para agravar ainda mais a situação em que a Síria vive. Não há sequer alguma indicação de concordância entre os rebeldes e o governo, muito menos entre os países envolvidos.

Alguns estudiosos acreditam que o cenário deverá piorar, já que a disputa indireta entre as superpotências pode se transformar em um conflito direto, como seria o caso do enfrentamento entre Rússia e Estados Unidos,.

No momento, porém, tudo o que se tem são especulações e indícios. Novos desdobramentos da guerra civil indicarão se o caminho será a paz ou o alastramento de um conflito ainda maior.

Por fim, é sempre importante ressaltar que a questão do conflito na Síria é delicada e exige todo um estudo detalhado. Não deixe de acompanhar as notícias e procure fontes diversas para se aprofundar no assunto.

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